5 de set de 2017

ELECTRO BROMANCE

ELECTRO BROMANCE
“We are like a time bomb” (Deepland Records)


Fazer música nos confins menos abastados do Brasil parece ser uma atitude mais rock que muito posudo roqueiro tatuado. Vindo da terra de Augusto dos Anjos, o duo paraibano Electro Bromance surpreende atacando de synth pop e dark wave. Sobrevoando pioneiros como OMD (“Erotic playground”) e Wire (“Make me your toy”), eles puxam os BPMs para cima nas agitadas “Euphoria” e “Beloved”, as duas cheias de timbres graves de teclados e programações margeando o pop de faceta mais eletronica. Com a quase pop “Shy banshee”, a lembrança do Talk Talk fica até nítida, mas os riffs de guitarra de Hansen Pessoa marcam a diferença. A tensa – porém mais cadenciada – “Unreal” vem com plano sinistro e emerge como se o Kraftwerk deixasse a preguiça das últimas décadas de lado e pudesse dar um passo à frente, aqui uma clara trilha sonora de ficção cientifica e poderia muito bem estar em um disco atual do Front 242. Por outro lado, “Love adventures” desce um pouco os beats e se assemelha ao clima de discos como “Music for the masses”, do Depeche Mode (ou seja, quem gosta de eletrônica à la anos 80 reclamará). Com um pouco mais de variação na timbragem e andamento das programações – e se explorar mais a guitarra barulhenta de Hansen -, o clima de nostalgia será esquecido em prol de um futuro menos obscuro e mais bombástico.




(resenha escrita por Alexandre Alves, músico e produtor poptiguar)

16 de ago de 2017

VÊNUS IN FUZZ, Planeta do Barulho!

A música segue um ritmo linear, crescendo em densidade sob camadas de efeitos entre os limites sonoros do barulho e a melodia. É nessa concepção musical - traduzida pelas fortes influencias dos post-punk anos 80 e do shoegaze brit anos 90 - que o guitarrista e vocalista Gilberto Bastos vinha formatando a sonoridade da banda paraibana Vênus In Fuzz desde o começo dos anos 2000, mas apenas recentemente concretizado. 
Atualmente é um quarteto formado por Gilberto, Igor Silva (voz e baixo), Angie (bateria) e Tarcisio Victor (guitarras) que vem se destacando na cena indie rock de João Pessoa.

Em julho passado lançaram o novo EP contendo quatro faixas e a produção caprichada da Mardito Discos. O trabalho da banda, lançado pelo próprio selo Silo Records, vem tomando projeção no país, sendo convidada recentemente para participar de uma coletânea tributo ao famoso grupo inglês Spiritualized. Sob esses assuntos foi em que trocamos uma idéia com o grupo. Confira a breve entrevista e escute o novo play pelos links indicados abaixo. 

12 de jul de 2017

CALLADO, NA IDADE DA RAZÃO

Prestes a completar 50 anos de vida (em novembro), o compositor, cantor e guitarrista alagoano Luiz Eduardo Calado celebra seu tempo com uma plenitude holística – humana e artística. Sua trajetória musical mantém sempre em progresso, com a experiência e sabedoria que lhe apontam os melhores caminhos com os meios mais adequados.

Um dos poucos reminiscentes na ativa desde a cena seminal dos anos 90 em Maceió, Calado expõe como influências marcantes em seus trabalhos o pós-punk britânico e o rock alternativo americano. Formou e participou de várias bandas e projetos com seu peculiar senso melódico e lírico. Agora em 2017 grava e lança um disco com uma produção mais esmerada, no sistema de captação de recursos via crowdfunding.

Calado nos conta um pouco da sua história e convida aos leitores e amigos a participarem desse novo projeto em execução. Vamos nessa?!

30 de mai de 2017

AS ONDAS DE RAFAEL JUNIOR

Conheço Rafael Junior desde os meados dos anos noventa, bem antes do inicio da internet. Intercambiamos muitos sons, zines e informações, além de shows e providenciais guaritas. O amigo sergipano, hoje de 43 anos, é o fundador, e excelente baterista, da destacada banda sergipana Snooze, uma dos grandes nomes do indie rock nacional.

Nos idos dos anos 90 também foi editor do reconhecido fanzine Cabrunco, importante publicação que divulgou o efervescente cenário musical independente brasuca da época. 

22 de abr de 2017

GRETCHEN´S WHEEL

É o nome do projeto da talentosa cantora, compositora, produtora e multi-instrumentista americana Lindsay Murray, natural da famosa Nashville. Criada na cidade berço do country, e derivados, se diz inspirada em seus trabalhos no alt-rock anos 90. Em particular, a sua sonoridade lembrou-me em algumas canções os primeiros trabalhos da obscura veterana compositora Alice Despard e outras com um tanto melódico e vocal de outra veterana Aimee Mann. Lindsay tem boas referências na sua música, como atenciosamente esclarece:

“Minha primeira grande influência foi Matthew Sweet, nos anos 90. Foi quando eu percebi que queria tocar guitarra e escrever músicas. Meus outros artistas e bandas favoritos na escola e na faculdade (eu ainda os amo todos!) eram Teenage Fanclub, Fountains of Wayne, Failure, Elliott Smith, Big Star, Sunny Day Real Estate e Built to Spill, entre outros”

O que podemos destacar em suas composições - na similaridade com as referências sonoras citadas – são as condições estéticas de forte acento pop, estruturas melódicas com arranjos bem elaborados e letras com abordagem sensível, introspectiva e feminina em particular descobertas e dúvidas existenciais, como dita na faixa de abertura do terceiro disco cheio “Sad Scientist”, de lançamento recente, “Better in the dark”:
“why’d you have to go and turn the light on /don’t you know you’re better in the dark /never to reveal all the things you feel /you can’t fail if you refuse to start”

24 de nov de 2015

EDNILSON E O ROCK BAIANO


“Rapaz, até hoje ainda tem gente que fala do Telefanzine”, me confessou Ednilson Sacramento, em rápida vista a João Pessoa. O veterano produtor baiano foi responsável por um feito inédito no cenário musical independente de Salvador, lá nos idos dos anos 90. O Telefanzine era uma forma alternativa de comunicação que durou pouco, mas marcou época na cena local e ainda guarda boas lembranças.

Com a perda lenta da visão, Ednilson afastou-se da cena musical e passou a dedicar-se na militância dos Direitos Humanos, através da ONG ARCCA, da qual é um dos coordenadores na Bahia. Entretanto não se afastou da música plenamente, pois ao longo dos anos escreveu o livro “Rock Baiano – História de uma Cultura Subterrânea”, lançado em 2002 e já com edição esgotada, no qual faz um apanhado, em 250 páginas, dos importantes personagens e momentos do rock baiano.

Recentemente, com o apoio de algumas instituições e da Prefeitura de Salvador, publicou uma atualização do livro no formato de áudio livro, cuja versão em CD vem divulgando em vários lugares com a ajuda de alguns amigos. Sendo uma publicação independente, a tarefa não é fácil em despertar interesse entre aqueles que não conhecem o passado e pouco preservam o presente. No fundo somos todos negligentes com a memória e são poucas as publicações no país que abordam o tema de forma abrangente. O lema “faça você mesmo” ainda se mantém vivo.

Contato de Ednilson:

(71) 99258-1961.

11 de out de 2014

Uma surpresa chamada Lowell

Ao ouvir o power trio cearense Lowell e seu EP "Everest?" tive uma grata surpresa logo
nos primeiros acordes de "Alone", guitarras no talo e sensibilidade pop da melhor safra. 
Melodias chiclete no bom sentido, baixo e bateria construindo a base para os ataques 
explosivos das guitarras. 
A quase balada "Spacemen" é a terceira música, começa com 
voz e violão e vai dando espaço pros outros instrumentos entrarem somando pungência 
a canção e abrindo espaço para sua irmã "Thank you" que segue o mesmo caminho 
da faixa anterior, mas dessa vez com o rock dando as caras desde o seus segundos 
iniciais. O nome da banda que tem como referência a cidade natal do escritor beatnik, 
Jack Kerouac, entrega as intenções das letras do Onni Matos que fica com o posto de 
vocalista e baixista, e a companhia de seus parceiros Sérgio Costa nas guitarras, violões 
e vozes adicionais, junto com o Carlinhos Perdigão na bateria e percussão, fazem a 
diferença, moldando a identidade do grupo. Entre todas as influências musicais citadas 
pela banda o R.E.M. me parece ser a mais próxima, até porque o som do Lowell pende 
mais pro rock alternativo americano de guitarras altas, do que a melancolia inglesa de 
dedilhados e reverbs psicodélicos. 
Boa pedida para acompanhar algumas doses.

(resenha por Igor Lima, baixista e vocalista de várias bandas em Jampa)